MALTRATAR ANIMAIS É CRIME

Sempre considerei os maus tratos aos animais uma das piores atrocidades que o ser humano pode cometer. Tanto que a morte da cadela Baleia, narrada num dos capítulos do clássico “Vidas Secas”, foi para mim uma experiência terrificante — ainda mais quando descrita pela pena de um gênio como Graciliano Ramos.

Animais não podem defender-se sozinhos. Ficam reféns dos homens, da sua crueldade. Nem mesmo entendem por que apanham. Veem o seu dono e pensam logo em alguém que lhes há de dar amor, carinho, atenção. Que surpresa desagradável, então, é levar uma bordoada, um chute ou qualquer outro tipo de ataque. Quem bate não faz ideia de como sofre o animal. Quem bate não percebe como, pouco a pouco, a agressividade contamina-o.

Não é preciso ser um especialista para intuir a covardia daquele que maltrata um animal. Seja de que espécie for, a violência é censurável. É covarde quem espanca um cão doméstico com uma vassoura, ou deixa o gato a passar fome por miar demais. É igualmente covarde o dono do circo, que deixa o leão preso na jaula — doente, a definhar — ou que adestra o elefante espancando-o com uma vara de pau. Doméstico ou selvagem, pouco importa: a violência contra os animais é inaceitável.

Penso nas leis e fico sabendo que o direito os considera meros objetos. Mas que objetos são esses que nos trazem tanta alegria, tanta felicidade? Quem alguma vez supôs que uma panela pudesse ser sua companheira? Quem alguma vez viu um relógio abanar o rabo? E no entanto é comum ver o sujeito que sevicia um animal dar um tratamento de filho ao seu automóvel.

Por falar em carro,

Quantos cães e gatos são atropelados todos os dias no trânsito violento do nosso País? Essa é uma estatística inexistente. Porque animais são objetos — e objetos são descartáveis. Podem ser para o direito e suas frias leis. Não o são para mim.

Mas o agressor de um animal não é apenas um covarde. É também um potencial criminoso. Pelo menos é o que revela a pesquisa feita pelo chefe de operações da Polícia Militar Ambiental de São Paulo, capitão Marcelo Robis Nassaro. Em sua dissertação de mestrado, ele analisou os dados daqueles que foram autuados por maus-tratos a animais. Descobriu então que muitos dos agressores haviam se envolvido em outros crimes. Na verdade, seu estudo inspirou-se noutro, realizado nos Estados Unidos, quando pesquisadores constataram que serial killers registravam em comum um histórico de agressão a animais.

No Brasil, há exemplos emblemáticos de violência contra os bichos. Tivemos o caso da enfermeira que espancou seu cachorro da raça Yorkshire até a morte. Tivemos também o caso do prefeito de Santa Cruz do Arari, no Pará, que autorizou o extermínio dos cães da cidade, o que era feito da maneira mais cruenta possível. E o que dizer dos assassinatos de touros neste evento estúpido que atende pelo nome de tourada? Que dizer das festas de peão, com rodeios promovidos à custa da sevícia de bois e cavalos?

No fim, a lição que fica das pesquisas, bem assim dos tristes exemplos que recordei, é uma só: as agressões contra os animais constituem o primeiro estágio na escalada do crime. Quem põe um galo para brigar até a morte numa rinha, quem quebra as asas de uma ave, quem fustiga um jumento com o junco está a um passo da mesma covardia que acomete aquele que espanca uma mulher, que sevicia uma criança, que toma em mãos um revólver disposto a matar. Em todos esses casos, sobra sangue frio, falta respeito à vida. A violência é a mesma.

O Brasil é um Fracasso!fuja quem puder!

 Se você é otimista ou está aqui só por motivação política (criticar ou defender governo X ou Y), nem perca seu tempo com esse texto. Provavelmente você vai achar que é “chorume”, afinal chamar algo de “chorume” é uma espécie de Lei de Godwin das redes sociais: serve pra designar muita coisa ruim, mas também é uma forma de encerrar discussões que incomodam sem dar margem para argumentações.

Em resumo: o Brasil é um país que fracassou. Fracassou por diversos motivos, e cada pequena atitude de qualquer ator político só me fazem ter certeza de que o país é um completo fracasso. E não por causa de um ou outro governo, mas por causa de todos os governos que passaram por aqui durante a história, alguns mais, outros menos.

Então convém enumerar os motivos:

1) O Brasil não tem uma identidade nacional e não existe um projeto de país.

Você pode achar o contrário, especialmente em épocas de ufanismo coletivo, como em Copas do Mundo. Mas o Brasil não tem nenhuma identidade nacional e a necessidade do ufanismo coletivo em momentos específicos é um sintoma emblemático disso.

Quem é o brasileiro hoje? O homem cordial, de Sérgio Buarque de Hollanda? A imagem que se vende para o exterior do estereótipo de brasileiro que é o mesmo desde Carmen Miranda e Zé Carioca? O brasileiro não é nada disso. Mesmo porque não há um tipo de brasileiro. Existem vários Brasis dentro do país. O Brasil vive de políticas top-down (feitas de cima pra baixo) desde a época da colonização. E não há sinais de mudanças reais, nem mesmo com as várias manifestações que pararam o país no mês de junho.

Quando o país se tornou independente, o imperador daqui acabou sendo o filho do Rei de Portugal. Que, além de declarar uma independência combatida de forma indolente, conseguiu “manter o país unido”. Você consegue imaginar isso acontecendo em outro país? Em qualquer um deles? Independência é necessariamente um rompimento com a colônia, definitivo, sem volta. Nem mesmo as colônias espanholas, que tiveram o mesmo modelo de colonização daqui, tiveram algo parecido.

Desde essa época, tudo começou a ser resolvido na base dos panos quentes, do jeitinho, dos acordos de fachada . Foram sufocados alguns movimentos de independência, pois as identidades regionais sempre se sobrepujaram às identidades nacionais por aqui. E o problema não foi resolvido. Empurra-se com a barriga até hoje. Não há um projeto de país unificado. Não apenas pela questão das regionalidades (explícita em casos como o dos royalties do pré-sal), mas também porque nossos políticos tem a maturidade de alunos da 5ª série, sendo absolutamente incapazes de formular projetos conjuntos e de longo prazo. O pensamento é apenas na próxima eleição.

2) O Brasil empurra tudo com a barriga, toda solução é paliativa

O Brasil é um fracasso como país porque não sabe resolver seus problemas: apenas empurra-os. Toda solução é paliativa, pensando, no máximo, no próximo ciclo eleitoral. Aliás, tudo o que os políticos fazem não é pensando no futuro do país, mas no seu futuro pessoal na política.

Há problemas no transporte público revoltando a população? Formula-se uma resposta rápida e paliativa, não importando os efeitos dela a longo prazo. Enquanto isso, os que ganham às custas do Estado com as concessões de transporte público não perdem um centavo de seus ganhos.

Há problemas na saúde pública? Contrata-se médicos de fora, obriga-se os formandos a atuar na rede pública. Todas elas soluções paliativas, que não mexem com quem mais explora a saúde, prejudicando governos e médicos: os convênios, que recebem bilhões de reais anualmente dos cofres públicos.

Há problemas na educação: adotam-se soluções paliativas: vagas pagas pelo governo em escolas privadas, financiamento estudantil. E os donos de grandes corporações particulares, que contam com mais de 700 mil alunos cada, pagando por um nível deplorável de ensino, recebem incentivos governamentais para continuar inflando estatísticas na educação.

O que convênios médicos, empresas de transportes e  donos de faculdades particulares tem em comum? Todos eles, invariavelmente, GANHAM com a precarização do serviço público. Quanto mais o serviço público estiver ruim, mais eles lucrarão. As empresas de transporte público, por investirem menos. Os convênios e escolas, por prestarem um serviço muito ruim e ainda serem vistos pela sociedade como algo “melhor” que o serviço público.

E isso tudo por que? Porque o Brasil, como “país”, sempre foi dividido.

3) O Brasil sempre teve desigualdades sociais. Mas a elite econômica só pensa em si mesma

Não pense que as desigualdades sociais no Brasil vieram de hoje. Estão aqui desde a colonização, com o modelo de latifúndios baseados no trabalho escravo. A dualidade entre a parcela favorecida e a desfavorecida da sociedade brasileira adquire contornos dramáticos, a ponto de nossas principais cidades serem quase todas segregadas, com cinturões de pobreza cercando áreas ricas e contribuindo para problemas que vão desde a mobilidade urbana até a violência nas periferias.

Só que nossa elite aprendeu, como poucas no mundo, a se eternizar no poder. Quando não elegendo presidentes diretamente, através de lobbies e da associação com a elite estrangeira. São os casos de setores diversos da economia: empreiteiras, montadoras, bancos, convênios médicos, setor de edução, mídia, agronegócio, e outros diversos pedaços da economia que contam com forte influência junto ao Legislativo e aos Ministérios para fazer valer suas vontades. E esses setores não estão nem aí para a população em geral. O máximo que eles vêem é o povo como “mercado consumidor”. E, como um mercado consumidor que merece os piores produtos possíveis aos  maiores preços possíveis.

Esse grupo não é empreendedor, porque acha que novos personagens no mercado vão escancarar a incompetência desses donos do poder. Esse grupo tenta burlar a lei e se favorecer das benesses do Estado em todo momento. Esse é um dos grandes motivos de termos um quadro de políticos repletos de privilégios, propensos à corrupção e que se aproveitam do Estado. Mas, antes de tudo, é necessário entender que esses grupos refletem o caráter de boa parte do povo brasileiro, e isso é a certeza de nosso fracasso como país.

Conclusão: o Brasil, um fracasso

Quando você pergunta para alguém “o que você faria na política?”, a maior parte das respostas tem a ver com os benefícios individuais. “Ficar rico”, “roubar quanto der”, “fazer o pé de meia”, todas essas respostas são muito comuns. O brasileiro médio tem a visão deturpada de que o Estado existe não para você ZELAR por ele, mas para você SE APROVEITAR dele. E quando o brasileiro médio se escandaliza com o deputado que anda em jato da FAB para fins particulares, não é porque ele tem um padrão moral elevado e gostaria de um país mais justo: é porque ele gostaria de estar no lugar do deputado.

O Brasil é um fracasso porque o brasileiro nasceu, se criou e cresceu como um sujeito individualista. Mas não como um sujeito individualista empreendedor, e sim como um sujeito individualista aproveitador, que usa jeitinhos para favorecer os amigos, que usa a lei para barrar os inimigos, que compete sem limites para se colocar em uma posição social privilegiada. O Brasil é o país dos opressores, mas também é o país dos oprimidos que querem melhorar sua condição social apenas para que possam oprimir alguém.

Querem provas disso? Não há um modelo de filantropia razoável por aqui, uma cultura de doações. Existem FRAUDES em casas filantrópicas aqui, apenas porque essas casas filantrópicas recebem isenção de impostos. As pessoas boas são minoria, infelizmente.

Não somos sequer uma República Federativa, como nosso nome fala. Não há de fato autonomia aos Estados. Temos um tradição de governos centralizadores, que só refletem o individualismo histórico do brasileiro. E mudar governos não adianta: toda a estrutura de poder está corrompida por pessoas que querem levar vantagens enquanto uma minoria tenta fazer coisas boas e não tem poder para tal.

Não há reformas estruturais. Não se combate o interesse daqueles que se beneficiam indevidamente do Estado. Não é de interesse de ninguém mudar o país. Talvez seja de meu interesse. Se você leu o texto até aqui, talvez seja de seu interesse. Mas somos minoria. Não há multidão nas ruas que me faça pensar o contrário. Mesmo porque não investimos para educar essa multidão, e até ela, nas ruas, está militando por seus interesses individuais.

Somos poucos. Vivemos cercados de pessoas individualistas, capazes de fazer qualquer coisa para levar vantagem. Pode ser um fenômeno global? Pode. Pode acontecer só em alguns lugares? Pode. Mas conforme-se: o Brasil é assim. E não somos nós, uma minoria de loucos sonhadores, que vamos mudar isso.

PÃO E CIRCO CONTINUAM

CARTA DO IMPERADOR VESPASIANO (41 DC) PARA SEU FILHO  TITO (79 DC)

“Onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio?” Futebol também é cultura. Hoje, para júbilo e gáudio dos amantes das letras clássicas, divulgo uma carta do imperador Vespasiano a seu filho Tito.

(Clunis são nádegas em latim.)

22 de junho de 79 d.C. Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador.

 Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória. Alguns senadores o criticarão, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio?

 Num estádio, é claro. Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma por omnia saecula saeculorum, e sempre que o olharem dirão: ? Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou.

 Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão. Moralistas e loucos dirão, que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Vel caeco appareat (Até um cego vê isso).

Portanto, deves construir esse estádio em Roma. Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: Ad captandum vulgus, panem et circenses (Para seduzir o povo, pão e circo).

 Esperarei por ti ao lado de Júpiter.

PS: Vespasiano morreu no dia seguinte à carta. Tito não inaugurou o Coliseu com um jogo de Copa, mas com cem dias de festa. Tanto o pai quanto o filho foram deificados pelo senado romano.
 Assim como a gente de Brasília construirá monumentais estádios em Natal, Cuiabá, Manaus e São Paulo, mesmo que nem haja ludopédio por esses lugares. Só para você ter uma ideia, o campeonato de Mato Grosso teve média inferior a mil pessoas por partida, e a Arena Pantanal, em Cuiabá, terá capacidade para 43.600 espectadores. Em Recife haverá um novo estádio, mas todos os grandes clubes já têm o seu. Pior será a arena de Manaus: terá 47 mil lugares e, no campeonato estadual,

juntando os 80 jogos, o público total foi de 37.971.

As gentes da Terra Papagallinão ligaram nem mesmo para o exemplo dos sul-africanos, que construíram cinco novos estádios e quatro são deficitários. O pão e o circo continuam . . .

IMAGENS

Sabe quando certos acontecimentos na sua vida parecem repetir-se, regularmente, sem uma razão lógica?

Quando a gente entra no caminho da espiritualidade “séria”, ou seja, comprometida com nossa transformação interna (e não externa, baseada em laços sociais, econômicos, um “upgrade” no visual ou apenas pra botar um freio de burro em certas atitudes) nos deparamos com o desafio de encarar a nós mesmos, seja através dos nossos demônios internos, ou através de alguém (o mundo como espelho nos traz alguém próximo e a quem você não pode evitar, seja um filho, marido, esposa ou inimigo muito chato). Isso pode ser o Universo nos mostrando nossa IMAGEM. O que o Pathwork® nos mostra é como acessar essa imagem e como disassociá-la de sua essência.

Segundo o site brasileiro do sistema, o “Pathwork® é um caminho para a autotransformação pessoal e autorrealização espiritual, direcionado às pessoas que buscam um relacionamento mais verdadeiro consigo próprias e com a vida. Inclui uma compreensão profunda da negatividade pessoal para dissolver velhas crenças, condicionamentos e imagens errôneas. A proposta incentiva a parar de tentar fingir que somos uma imagem idealizada de nós mesmos, a pessoa que pensamos que deveríamos ser. Trata-se de um modo prático, honesto e racional de passarmos de onde estamos para onde queremos estar. Está fundamentado no estudo e na vivência do conjunto de 258 temas sistematizados pela austríaca Eva Pierrakos durante mais de 20 anos de trabalho”.

Eva Pierrakos nasceu em Viena em 1915. Deixou a Áustria antes da invasão nazista e mudou-se para Nova York. Foi na Suíça, entretanto, onde viveu durante alguns anos, que seu dom psíquico começou a se manifestar sob a forma de escrita automática. Começou então a desenvolver a clariaudiência, não ouvindo vozes externas, mas vozes internas que provinham do seu cérebro. Tornou-se assim o canal de uma entidade espiritual chamada de “o Guia”.

Em 73 Eva casou com o psiquiatra John C. Pierrakos, um dos fundadores da Análise bioenergética, e o trabalho dos dois se transformou no Pathwork®.

O texto abaixo é minha interpretação livre baseada na Palestra do Guia Pathwork No. 38, de 24 de outubro de 1958, que trata justamente sobre Imagem.

Na questão da nossa auto-imagem, é importante saber que não se refere à persona, a máscara que criamos pra sociedade. Não é (só) sua profissão, não é (só) como você se apresenta, mas é principalmente sua auto-imagem inconsciente, como você ACREDITA que é e não como procura ser. Isso é importante pois, quando identificamos nossas falhas e procuramos superá-las podemos esbarrar no famoso “eu tentei de tudo, mas não tem jeito: eu sou assim”. O Guia do Pathwork® fala que apenas a vontade externa é insuficiente. É preciso mergulhar na alma, pois geralmente formamos o que somos na infância, através de IMPRESSÕES, ou seja, reações emocionais e conclusões sem muita elaboração, formadas sem a experiência e o embasamento de um adulto e, à medida que os anos vão passando, estas conclusões e atitudes afundam cada vez mais no inconsciente, moldando, até certo ponto, a nossa vida e continuam a influenciar mesmo depois que analisamos a questão criticamente. Tal conclusão do passado é chamada de IMAGEM.

Como saber que estamos presos a tais imagens? Quando você tem um problema e sabe que não é possível superá-lo, por mais que queira ou tente, por mais que saiba que isso lhe traz problemas. O Guia fala que as pessoas às vezes amam algumas das suas faltas. Mas por que? Pela simples razão de que, de acordo com essa imagem, certas faltas se revelam como uma medida de defesa ou uma capa protetora. Obviamente, este é um raciocínio inconsciente. Por isso que o esforço consciente para superar esta falta torna-se infrutífero. E será assim até que a Imagem seja reconhecida.

Outra evidência de tal imagem é a repetição de certos incidentes na vida do indivíduo. Tem mulher que diz “eu só atraio homem canalha” ou casamentos que não dão certo. Parece até uma maldição. Mas uma imagem, de alguma forma, sempre forma um padrão de comportamento ou de reação em certas ocasiões e, também, um padrão de acontecimentos externos que parecem chegar a nós sem que tenhamos feito nada para atraí-los. Conscientemente a pessoa pode até desejar, com fervor, algo que é o extremo oposto da imagem. Mas este desejo consciente é mais fraco que o desejo inconsciente que é, sempre, mais forte.

O único remédio é tentar descobrir qual é a Imagem, em que base ela foi formada e quais foram as conclusões erradas.

A maioria das vezes uma imagem é antiga e tem sido trazida de uma vida para a outra Quando uma imagem existe, vinda de vidas passadas, a encarnação ocorre num ambiente em que haverá provocações à Imagem já existente (ou seja, fará a Imagem ser reativada nessa vida) devido a imagens parecidas nos pais ou em outras pessoas ligadas à criança em crescimento.

Somente assim é que a Imagem fará emergir o problema, e só quando se torna um problema é que a pessoa presta atenção – e, espera-se, busque a solução – ao invés de desconsiderá-la. Se a pessoa continuar ignorando o problema as circunstâncias na próxima vida serão muito mais difíceis, e assim por diante, até que os conflitos se tornem tão desesperadores que nenhum fator externo possa mais ser considerado responsável. Este é o momento em que a pessoa começa a inverter seu movimento, indo para cima e para dentro .

É preciso quebrar o orgulho; A vontade do ego que diz “Eu não quero o risco da vida, eu não quero a dor da vida; conseqüentemente, eu atraio esta conclusão que parece, para mim, ser a salvaguarda contra isto”. Mas isto não é uma salvaguarda, pois lhes trará problemas muito maiores do que aqueles de que vocês estão tentando escapar, pois a vida não pode ser trapaceada.

E esta é a piedosa lei de Deus. Uma piedade difícil de entender a princípio, mas baseada no “Deus escreve certo por linhas tortas”. Se não fosse assim, nós nunca poderíamos sair da miséria dos obscuros planos inferiores, pois de lá ninguém pode realmente nos tirar a não ser nós mesmos.

Somente quando começarmos a encarar as nossas conclusões errôneas e nossos medos, e estivermos prontos para aceitar a vida como ela é, é que seremos capazes de curar a nossa alma. Só quando tivermos renunciado a uma parte da vontade do ego que quer negar a vida na sua forma presente, a forma que é necessária para o nosso desenvolvimento.
Só então teremos adquirido a humildade de não querermos ser protegidos dos riscos e durezas da vida. Riscos que só deixarão de ser necessários quando nós pudermos, sem temor, aceitá-los e nos responsabilizar por eles.

TELEXFREE FECHANDO

Chega ao fim o mais atrevido golpe já perpetrado contra o consumidor brasileiro. Durante um ano, o esquema TelexFree envolveu um milhão de pessoas e movimentou mais de R$ 300 milhões através de uma versão online do velho golpe da pirâmide.

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O esquema surgiu inicialmente em 2009, montado pelo aventureiro capixaba Carlos Wenzeler, através de um site denominado de Disk à Vontade.

Para entrar no jogo, a pessoa tinha que pagar de US$ 200 a US$ 1.000 dólares. Depois, colocar publicidade em sites de Internet dos serviços de VoIP (telefonia pela Internet) da TelexFree. Por cada publicidade colocada, a pessoa receberia US$ 20.

Acontece que toda a remuneração dos primeiros da fila era bancada pelos últimos que entravam – como em toda pirâmide, levando ao estouro da boiada depois de algum tempo.

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A versão inicial do golpe demorou um pouco a decolar devido à falta de confiabilidade na empresa.

Aí Wenzeler deu o segundo passo. Foi até os Estados Unidos, localizou uma pequena empresa de VoIP e tornou-se sócio dela. A empresa tinha um pequeno escritório virtual em um grande prédio de Massachusetts. No site da TelexFree o prédio era apresentado como se fosse totalmente da empresa. E o sócio norte-americano como se fosse um gênio do marketing.

A publicidade da TelexFree ganhou impulso quando passou a veicular que a TelexFree americana era uma multinacional que existia desde 2002.

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O passo seguinte foi arregimentar uma verdadeira quadrilha de oportunistas, espalhada por todo o país. Essas sub-quadrilhas montaram sites usando o nome da TelexFree na URL (o endereço da Internet). E inundaram o Youtube com vídeos vendendo as maravilhas do enriquecimento fácil.

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Nos próximos dias a Polícia Federal entrará em cena, prendendo parte da quadrilha. A grande questão que se levanta é o fato da quadrilha ter agido por tanto tempo sem ser incomodada.

Os Procons do Acre e do Mato Grosso solicitaram informações à SEAE. Houve dificuldade em qualificar a natureza do crime. Por outro lado, não se sabia se a repressão deveria partir de Ministérios Públicos estaduais ou do Federal; se da Polícia Civil dos estados ou da Polícia Federal.

A cada dia que passava, mais consumidores eram prejudicados. Pululavam depoimentos de pessoas que chegaram a vender a casa para entrar no negócio.

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Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o governo daria toda ênfase à defesa do consumidor.

O primeiro passo é aparelhar o Estado de ferramentas legais para coibir os velhos crimes que adquirem feição nova através de novas tecnologias.

O coliseu e a lição que não aprendemos

coliseu

Entre os vários livros que vou lendo aos poucos um está ocupando mais minha mente: Os Mártires do Coliseu, de A. J. O’Reilly. Começou como fascínio e curiosidade por este monumento imponente e toda a história que o cerca, mas acabou me absorvendo a mente um paradoxo que reflete na atualidade.
Desenvolverei o tema com calma. Vamos primeiro remontar à antiguidade, com a construção do Coliseu. A situação era a seguinte: Em 64 d.C. Nero já tinha incendiado Roma e colocado a culpa nos cristãos, que já não eram lá bem vistos pela sociedade. Nero foi obrigado a se suicidar pelo Senado em 68 e em 72 iniciou-se a construção do Coliseu, com a mão-de-obra de 60 mil escravos judeus que foram trazidos de Israel após os romanos destruírem Jerusalém e o segundo Templo (o que Jesus falou que não ficaria pedra sobre pedra). A construção levou 9 anos. A festa de inauguração durou 100 dias, com direito a guerra de navios (o Coliseu podia ser enchido de água) e mortes ao montes, de todas as maneiras possíveis e imagináveis.
É justamente nesse aspecto que quero focar meu post: a mentalidade da época. Para os romanos era natural, diria até “saudável”, esses hábitos de se divertir com a morte alheia. Desde os tempos dos Etruscos que existia o ritual RELIGIOSO de, para comemorar a morte de um cidadão importante, se matar pessoas (escravos, mulheres) para ajudá-lo no além (isso também aparece entre a nobreza chinesa e egípcia). Quanto mais importante, mais gente morta com mais pompa e mais público. O costume “evoluiu” para simples entretenimento. O conceito de que “o mais forte sobrevive matando o mais fraco” sempre permeou a sociedade humana na antiguidade, quando batalhávamos pra sobreviver com poucos recursos. Para isso usávamos os instintos mais básicos de sobrevivência o tempo todo. Os romanos, inteligentíssimos e sofisticados, elevaram a violência e a bestialidade a um status de entretenimento para toda (repito, TODA) a família, de todas as classes sociais. O Coliseu era a maior e mais pungente prova disso. Cada cidadão recebia uma senha (um número) pra ter sua cadeira reservada no Coliseu. A nobreza ficava mais próxima do nível da arena, classe média no meio e os escravos e estrangeiros dividiam o nível mais acima. As mulheres e os pobres ficavam nas últimas fileiras da arquibancada, lá em cima. Cabiam ao todo 80 mil pessoas no Coliseu (a nível de comparação, no maior estádio do Brasil – o Maracanã – cabe atualmente 79 mil pessoas). Os jogos de Gladiadores já eram sucesso 300 anos antes do Coliseu ser construído, então era algo plenamente aceito e entranhado na sociedade (uma verdadeira “tradição”). A entrada era gratuita, e o povo ainda recebia comida, subsidiada pelo governo (o “bolsa-coliseu”), o que entrou para a história como “política do pão e circo”, extremamente eficiente e que permeia com tristeza a história do Brasil até hoje.
Havia uma programação diária para o Coliseu, que começava pela manhã (as “Venationes”) com a exibição de animais selvagens, capturados nas terras distantes do vasto Império Romano. Era a única oportunidade pra um cidadão que viveu e cresceu em Roma ver um Guepardo, um Elefante, um Rinoceronte. O habitat do animal era recriado com a colocação de árvores e arbustos na própria arena. Depois soltavam algumas pessoas lá dentro pra serem mortas por animais enfurecidos ou famintos. Ou botavam dois animais selvagens pra lutar até a morte. Depois vinham os guerreiros (algumas vezes até mulheres!) de armadura, redes e lanças iam caçar e matar os animais. A carne dos animais mortos era fatiada na cozinha embaixo da arena, embalada e distribuída pra platéia. Ao meio-dia tinha a execução de prisioneiros, feita para o populacho, sem muito requinte (era de bom tom que os nobres fossem embora almoçar, embora alguns mais sádicos ficassem) e à tarde vinha o melhor do dia: a luta de gladiadores!!! Os gladiadores eram os lutadores de UFC da antiguidade: ídolos incontestes. Crianças faziam bonecos e desenhos nas paredes das vitórias, pessoas se tornavam tão famosas e queridas a ponto de dar inveja ao Imperador (tanto que o Imperador Comodus – o mesmo retratado no filme “Gladiador” resolveu “lutar” de fachada nas Arenas pra conseguir o título de “Mille Gladiatorum Victor“: O Vencedor de Mil Gladiadores).
O capítulo mais conhecido do Coliseu é a perseguição aos cristãos. Milhares morreram ali, de todas as idades e classes sociais, apenas por professarem a fé cristã. A perseguição começou entre os judeus (quando era território de Roma), que viam nessa doutrina o esvaziamento do poder do sinédrio. Para os romanos a doutrina cristã poderia ter sido incorporada à multitude de deuses que, inteligentemente, os romanos toleravam pra manter sua política territorial sem muitas revoltas, não fosse por um detalhe: Os cristãos não só não faziam sacrifícios a seu Deus como não tolevaram que outros fizessem qualquer tipo de sacrifício a qualquer Deus. Isso se tornou, para Roma, uma “superstição perigosa”, algo que era uma má influência pra sociedade (lembrem: o contexto social e religioso era um por centenas de anos, e toda a “tradição” era ameaçada por um secto, um grupo dissidente dos judeus que desprezava tudo o que eles acreditavam). A coisa ganhou contornos dramáticos com Nero e o incêndio de Roma. Pra escapar de qualquer acusação, Nero tratou de culpar os cristãos, e como eles já não eram populares…
O Coliseu se tornou o palco para o martírio dos cristãos por uma centena de anos e, ironicamente, fortaleceu o que os romanos pretendiam destruir. Isso porque o cristianismo, ao contrário das outras religiões, alimenta-se do sacrifício, do “Imitatio Christi”, do mais fraco (manso) na Terra ser o mais “forte” no céu. Quanto mais aumentava a perseguição e morte (com decretos espalhados em todo o território romano) mais aumentava a popularidade dos cristãos. E a sede dos romanos curtir um “espetáculo” com as mortes contribuiu enormemente pra isso: ao contrários dos outros condenados, os cristãos abraçavam a morte com júbilo e resignação. Isso era algo que não se via todo dia, e os comentários a respeito passaram de boca em boca junto às notícias sobre os gladiadores e animais exóticos. A coragem demonstrada diante da morte passou de fraqueza para fortaleza, e o interesse pela doutrina que conferia a essas pessoas tanta certeza de uma recompensa no além aumentou graças a essa poderosa “antena emissora” que era o Coliseu. A própria Igreja Católica reconheceu isso e preservou o Coliseu (que ia ser destruído completamente no Renascentismo pra tirarem matéria-prima pra estátuas, pontes, casas, etc) como um monumento cristão. Fica entendido aí o porque de o país que tanto perseguiu os cristãos ter sido o primeiro país a ser oficialmente “convertido”.

Esse é o ponto onde quero chegar: A perseguição levou a uma união, popularidade e fortalecimento de algo que, se deixado quieto, talvez não adquirisse tamanha dimensão. E o que acontece séculos depois, quando os cristãos, outrora perseguidos, adquiriram o poder do continente europeu? Perseguição e morte. Será que não aprendemos nada com a história?
Se formos ficar só na atualidade veremos o triste episódio de Silas Malafaia (que, apesar de representar apenas uma denominação, na verdade fala por muitos cristãos, sejam evangélicos ou católicos) atacando a homossexualidade na TV como se fosse uma praga, uma aberração, uma má influência pra sociedade. Como o mundo dá voltas e permanece, em essência, o mesmo…

Se formos utilizar a história, veremos que no futuro os grupos pro-homossexuais deterão o poder. Espero que ao menos eles tenham a sabedoria e o bom-senso de pôr um fim a esse ciclo de perseguições.

Referência:
História do Coliseu;
Persecution of Christians in the Roman Empire

Uma foto,Drummond

 

 

As pessoas comuns perguntam o que o homem terá dito. Você pergunta o que Drummond terá respondido.

A foto Alguém sabe o autor dela?

Curioso. Meu primeiro impulso foi colocar o título do post como Drummond e o bêbado. Mas caí em mim: nada garantia que ele de fato estivesse embriagado a não ser o meu pré-julgamento.

Então, Drummond e o mendigo. Mas, da mesma forma, nada garante em absoluto que ele seja um mendigo.

E, aos poucos, todos os outros atributos possíveis que eu daria ao homem foram caindo e restou este: o de homem. Que também não é definitivo.

No próximo exercício, vá para o espelho e faça os seus próprios atributos despencarem um por um.

Até que o homem seja a estátua e Drummond seja o poeta em carne e osso.

E até que aquelas pessoas, lá atrás na foto, dentro da água (e que você só notou agora), tenham deixado a imagem, adentrando ainda mais… na profundidade do mar.

Pedro Pilar!