A vida por Hipotese

Muita gente acredita que a vida na Terra (Eu acredito que existe vida lá fora) foi originada por acidentes aleatórios. Todos nós recordamos as teorias que aprendemos sobre a “sopa original” ou “sopa pré-biótica” que existia antes do aparecimento da vida. Essa “sopa” teria sido atingida por uma faísca e em resultado disso, os aminoácidos – construindo blocos de vida – apareceram. Portanto, juraram-nos a pés juntos que um “acidente” desta natureza aconteceu há milhões de milhões de anos, originando a vida a partir de matéria inerte. A verdade é que recentes descobertas no campo da Biologia Molecular, da Astrofísica de Partículas e da Geologia levantam dúvidas profundas sobre as teorias que os detentores de “alvarás de inteligência” das faculdades nos meteram na cabeça.Existem principal e atualmente três tipos de questões em investigação: (1) Será matematicamente possível que processos acidentais de geração de vida possam ter sido a causa da primeira forma de vida? (2) Se o “acidente” é matematicamente impossível como causa da primeira forma de vida, serão os outros “cenários” plausíveis, como por exemplo, a teoria da matéria “auto-organizada”? (3) Será matematicamente possível que processos acidentais possam estar na causa da formação de um universo compatível com a vida?

Ao examinar estas questões, devemos utilizar o conceito de “vida” largamente aceite pela ciência, que defende que a matéria viva processa energia, guarda informação e reproduz-se.

Para respondermos à primeira questão, – a possibilidade de “acidentes aleatórios” tornarem matéria inanimada em matéria viva – cingimo-nos aqui a aspectos da Biologia Molecular. Considere-se um cálculo do famoso ateu e cientista Sir Fred Hoyle. Hoyle defendeu que até as mais simples células vivas são extremamente complexas, contendo muitos ácidos nucleicos, enzimas e moléculas, todas juntas numa sequência muito precisa. Hoyle fez um cálculo das hipóteses que teriam cada 20 aminoácidos em aparecerem na Natureza na correcta sequência para formar uma célula viva: a probabilidade é [4] de 1 em 1020 X2.000 = 1 hipótese de 1040.000: 1 seguido de 40.000 zeros= (número astronômico!). Porque os matemáticos normalmente consideram a hipótese de 1 em 1050 como uma impossibilidade matemática, Hoyle concluiu que a vida não poderia ter aparecido por intermédio de atividade aleatória terrestre, mesmo que todo o Universo fosse composto por massa pré-biótica. O seu colaborador próximo, Chandra Wickramasinghe, colocou a questão de uma forma ainda mais dramática: “As hipóteses de a vida ter aparecido por acaso e de forma aleatória são semelhantes às hipóteses de um ciclone soprar num qualquer cemitério de automóveis e construir-se assim um Boeing 747“.

Para termos uma ideia da dimensão do número 1050, se considerarmos que o Big Bang ocorreu há 15 mil milhões de anos, só se passaram 1018 segundos no Tempo Universal (ou Tempo Total). O número de átomos no Universo conhecido é estimado em somente (!) 1080 . O físico Paul Davies classificou a possibilidade de 1 para 1060 como igual à possibilidade de atingirmos um alvo de 2 centímetros (~1 polegada) com uma espingarda colocada à distância de 20 mil milhões de anos-luz. Uma possibilidade em 1040.000 está para além de qualquer possibilidade matemática.

Atualmente, as possibilidades de a vida se ter formado através de um processo aleatório são ainda mais fracas, por diversas razões.
Primeiro, os cientistas têm descoberto muitas razões para pensar que a Terra primordial não era de todo constituída por uma “sopa pré-biótica”, conforme defendido até há bem pouco tempo. Em segundo lugar, não existe absolutamente nenhuma prova física da existência da “sopa pré-biótica”: de fato, não existem evidências de uma “sopa pré-biótica” nos registos geológicos estudados até agora. Em terceiro lugar, mesmo que os aminoácidos se tenham formado numa “sopa pré-biótica” primordial, no campo das probabilidades estamos em presença de um valor astronômico contra a hipótese de esses aminoácidos se juntarem para formar somente um conjunto de proteínas, quanto mais o ADN que encontramos em toda a vida! Pior ainda: descobertas recentes em registos fósseis revelaram que, para que a vida aparecesse de forma aleatória e acidental, só poderia ter ocorrido há 130 milhões de anos. Mas a Terra formou-se há cerca de 4,6 mil milhões de anos, podendo permitir a vida há cerca de 3,98 mil milhões de anos. Este fato torna as probabilidades ainda mais remotas e matematicamente impossíveis. A hipótese de formação da vida por hipótese não tem hipótese.

A nossa segunda questão diz respeito à plausibilidade das teorias que defendem a “auto-organização” da matéria tendo como resultado a formação da vida, de acordo com as leis da física e da química. Para percebermos a ideia da “auto-organização”, deveremos recordar a Segunda Lei da Termodinâmica, que exige que qualquer sistema perto do equilíbrio tenda sempre para a desordem (também conhecida como entropia):

Ainda assim, uma descarga energética pode fazer com que a matéria em desordem se organize espontaneamente num sistema organizado. Por exemplo: imagine um cano do nosso duche cheio com água cujas moléculas se encontram em equilíbrio – a água mais quente está misturada com a água mais fria, estando as moléculas da água distribuídas de uma forma totalmente aleatória e em desordem. Ao abrirmos a torneira, a força da gravidade força a água a passar do seu estado caótico (do seu estado aleatório de equilíbrio) para um estado ordenado de fluxo de água. Este exemplo demonstra como uma força energética pode criar o desequilíbrio num sistema e causar uma ordem de criação espontânea.
Poderia um semelhante tipo de “auto-organização” criar vida?

A matéria com vida tem necessariamente que conter uma informação (ou instruções) suficientemente complexa para que seja capaz de se manter e de se reproduzir. Neste ponto, a teoria da informação é-nos muito útil, porque nos permite quantificar a quantidade de informação da matéria viva e da inerte em termos de bytes e bits.

A enorme informação contida na matéria viva implica a existência de padrões flexíveis e irregulares, enquanto que a matéria inerte nunca sai dos padrões simples e repetitivos no que diz respeito ao conteúdo de informação. Por exemplo, um cristal de quartzo tem uma ordem simples e um conteúdo de informação escasso e não vive. Em contraste, o ADN existe em toda a matéria viva e contém uma vasta quantidade de informação que permite aos organismos a reprodução (ou criação de réplicas) e a sua manutenção, isto é, permite a vida. O ADN da mais pequena bactéria unicelular contém mais de 4 milhões de instruções (comandos de informação), que se encontram codificadas no ADN nas quatro “bases” da escada, com os nomes de A, G, C e T: são o alfabeto genético. Atuando como frases de um texto ou de um discurso, as instruções do ADN passam a informação necessária à formação de uma proteína ou algo semelhante que o organismo necessite para a sua reprodução ou alimentação.

O problema dos teóricos da “auto-organização” é que os mecanismos de criação de vida que eles defendem não explicam o método de geração do tipo de informação que o ADN contém. Os cenários da “auto-organização” da vida só se centram na “formação da ordem” e excluem a “informação complexa”. Esses teóricos adoram utilizar o termo “complexidade” nos seus escritos, mas referem-se a padrões altamente organizados e intrincados da organização da matéria, mas ao fim e ao cabo não distinguem os cristais de quartzo de uma ameba. A teoria da “auto-organização” defende que as leis da física (e consequentemente as leis da química produzidas) causaram a formação da matéria viva. Mas esta ideia encontra um grande obstáculo: o simples fato matemático de que a informação genética contida no mais pequeno organismo vivo é muito maior do que o conteúdo de informação descoberto nas leis da física, como referiu Information Theory and Molecular Biology.’);” class=”overlib”>Hubert Yockey. De onde nos chegou o enorme conteúdo de informação vital? Esta dificuldade fundamental não é abordada pelos defensores da teoria da “auto-organização”.

Mesmo que ignoremos este fato matemático fundamental, existe um outro problema: as leis da Física só produzem padrões regulares. O ADN (vida) requer padrões irregulares para a transmissão de informação através do código genético. Para usar uma analogia, a nossa língua utiliza um código (alfabeto), e se escrevermos as letras “ABC” de uma forma repetida ao longo de 1.000 páginas, teríamos um padrão regular, altamente ordenado e previsível (que são como as produzidas pelas leis da Natureza); mas se analisarmos “Os Lusíadas” verificamos um padrão irregular nas letras do alfabeto utilizadas, o que significa uma enorme quantidade de informação. De igual modo, o ADN utiliza o seu código (A, G, C e T) numa combinação complexa e irregular, para transmitir o seu código genético. Uma lei física produz padrões regulares e previsíveis, como a lei da gravidade produz o fluxo de agua tépida no exemplo do tubo do duche de que se falou aqui. Se o ADN tivesse origem baseada nesse tipo de lei física, a sequência do ADN seria simples e repetitiva (tipo abcabc) e sem muita informação, e seria incapaz de transmitir milhões de instruções como o faz o mais simples dos organismos. Da mesma forma que a informação contida n’ “Os Lusíadas” não foi determinada pelos químicos utilizados na tinta das penas de Luís Vaz de Camões, assim a informação do código genético (ainda que codificada num alfabeto de 4 letras) não é determinada pelos elementos químicos desse seu alfabeto.

Podemos especular se um dia existirá uma teoria da “auto-organização” em condições de vingar. Neste momento, esta teoria é mais uma proto-teoria do que teoria propriamente dita.

Em relação à terceira questão, que se refere à Astrofísica de Partículas e à probabilidade de o Universo se ter formado para “se compatibilizar” com a vida: muitos dos defensores da teoria do acaso ou do aleatório na criação da vida fizeram-no numa altura em que se acreditava que o Universo era infinitamente antigo e estável. Hoje, os cientistas vêem o Universo em expansão a partir de um início definido, com cerca de 15 mil milhões de anos. Hoje é reconhecido que o Universo físico está programado para propiciar e criar as condições para a existência da vida (sintonização universal para a Vida). John Polkinghorne, um físico de partículas de Cambridge escreveu no seu livro Beyond Science:

É a matemática que nos dá a chave para abrirmos as portas secretas da natureza. (…) Este conceito não é facilmente apreensível por todos, mas para aqueles que se expressam na linguagem matemática, a beleza matemática é uma qualidade evidente e reconhecida (…) Em suma, a matemática desponta da livre exploração racional da mente humana, o que parece indicar que as nossas mentes estão de tal modo sintonizadas com a estrutura do Universo que são capazes de penetrar nos seus segredos mais profundos.

De fato, o Universo é de tal forma “sintonizado” para permitir a vida que podemos concebê-lo como um lápis muito bem afiado colocado na vertical sobre a sua ponta de carvão, num equilíbrio precário: um pequeno desvio numa miríade de valores físicos podem fazer com que o lápis tombe de lado e ponha em causa a formação da vida. A “sintonização” do Universo para a Vida é necessária por várias razões. Só para dar um exemplo – a “sintonização” para a formação do carbono: a vida seria impossível sem o carbono; e devido às exigências muito precisas para a sua existência, o átomo do carbono poderia ser escasso; a formação do átomo do carbono requer uma colisão tripla raríssima conhecida por “triplo processo alfa“. Nem por isso o átomo do carbono deixou de existir na Natureza nas quantidades necessárias à formação da vida, porque o Universo está “sintonizado” para a sua formação. A “sintonização para a vida” está maravilhosamente presente em inúmeras manifestações da Natureza: o físico Paul Davies calculou que a força de explosão do Big Bang é precisamente equivalente à força da gravidade; se a força de explosão do Big Bang fosse ligeiramente superior, o Universo seria feito de gás, sem planetas e estrelas; se fosse ligeiramente inferior (falamos de 1 parte em um milhão de milhão de milhão), o Universo teria voltado a um ponto depois de alguns milhões de anos. Os exemplos da “sintonização universal” para vida são inúmeros.

A Física moderna prova-nos que a Vida é mais do que algo físico, o que significa que devemos ter uma abertura de espírito no sentido de aceitarmos outras teorias e campos de estudo diversos dos adoptados até aqui (como o campo da parapsicologia, por exemplo).

O Deus de barbas e “castigador” já não existe. Mas existe inexoravelmente uma força superior que tudo isto criou: chamemos-lhe o Deus Cósmico. Ele existe, sem dúvida.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s