A NOITE ESCURA DA ALMA

Sabe, um sentido que eu nunca tinha notado na Páscoa é o de não perder as esperanças de dias melhores. Os seguidores de Cristo enfrentam uma barra pesadíssima nessa época. Têm o seu líder, uma pessoa que nunca fez mal a ninguém, massacrado, humilhado em público e crucificado. Os seguidores são perseguidos. O sonho acabou. Cada um se esconde onde pode, pensando em tudo o que aconteceu, e no destino incerto que os aguarda. Pensem como eles: Foram traídos por um membro do mais seleto grupo de seguidores! Ninguém é de confiança agora. Se Jesus, que tinha poderes e que fazia milagres, sucumbiu dessa forma, que dirá eles, pobres seguidores? Foi um sábado negro, de aflição e dor para a alma.Jesus não seria mais do que uma nota de rodapé na história, ao lado de outros grandes homens que passaram pelo mundo, foram reconhecidos como sábios por poucos e terminaram, junto a seus admiradores, esmagados pelo sistema.Quantas vezes não ficamos assim? Destruídos, esmagados pela situação, incapazes de reagir, de ver uma luz no fim do túnel? É a noite escura da alma, de que nos fala São João da Cruz. E assim estavam os apóstolos, desacreditando até mesmo do que Jesus havia falado: “Derrubarei este santuário, e em três dias o levantarei”, para que assim se cumprissem as escrituras.FIAT LUXE eis que surge o Domingo, em que as notícias do desaparecimento do corpo do Nazareno trazem esperança aos corações atormentados. Ainda assim, alguns mais realistas (ou pessimistas) se negam a acreditar no triunfo da vida sobre a morte, achando que o corpo fora simplesmente roubado. É preciso então que haja um momento em que a vida nos jogue na cara que sim, a luz nunca foi realmente embora: nossos olhos que se turvaram por acreditar na ilusão. E o que não queríamos (ou não podíamos) ver se torna claro, palpável, até para os mais céticos.A fé retorna, a coragem e o brilho são recuperados. Dificuldades virão, mas serão superadas com convicção inabalável, que vai passando de pessoa para pessoa como uma chama que não se consome e traz um mágico brilho aos olhos.PESSACHA nome Páscoa é na verdade derivado da palavra Pessach, que em hebraico significa passagem, salto ou pulo. A décima praga do Egito foi a morte dos primogênitos. Sob orientação Divina, os judeus sacrificaram um carneiro e com seu sangue pintaram os umbrais de suas portas. O anjo da morte passou e “saltava” (Pessach) as casas dos filhos de Israel, que foram poupados. Simbolicamente pode significar a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, como a passagem da escravidão para a liberdade. A Passagem do mar vermelho. Ou, no caso de Jesus, a passagem da morte para a Vida.O Rabino Nilton Bonder comenta o significado da palavra Pessach no sentido de impermanência:”O verbo passar é um verbo estranho. Há nele algo de impermanente e ao mesmo tempo algo de perpetuidade. Quem passou já não mais está; permanece, no entanto, o registro. Se não lembramos de um momento de alegria ou de sofrimento, ele não existiu. Uma máxima da sabedoria Idische diz: ‘O que foi, foi e não retorna’ e quem viver viverá para compreendê-la.” 

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